
Já é quase de manhã, e eu ainda nem dormi, Fiquei lembrando das coisas bobas que você me disse, do seu sorriso sem jeito. E a cada palavra que você dizia, eu me perguntava qual seria o momento que elas cessariam. Não que eu pouco me importasse com elas ou que não estivesse prestando atenção, pra falar a verdade eu gravei cada palavra, cada pausa e cada vírgula sua. Mas queria tanto o silêncio, queria que ele por um momento imperasse, e ai então, você me beijasse.
O tão esperado silêncio veio, de mansinho. Num segundo senti todo o meu corpo estremecer. Mas ele, o silêncio, veio só, desacompanhado do meu beijo, dos seus lábios.
Ao menos pude apreciar o teu sorriso, quando os nossos olhos tentando fugir um do outro, se encontraram por um breve momento. Foi o suficiente para que o sorriso largo e as covinhas aparecessem. Num misto de vergonha e intimidade.
Numa próxima oportunidade, deixo esse constrangimento e te digo o quão feliz e até abobalhada eu fico ao te ver sorrir. Mas pra falar a verdade eu até acho que você já percebeu, porque depois desse breve encontro de olhares, você não parou mais de sorrir. Seria isso proposital? Uma provocação a esse meu coração frágil e louco por ti?
Lembro bem que como num sopro, sem mesmo eu sentir, você me puxou pra uma dança. Quando me vi, já estava no meio do salão, bailando contigo. E a cada giro parecia, que a minha perna sucumbia de agonia* por estar contigo e querer ser tua, não mais tão somente uma amiga.
Indescritível aquele momento. Nenhuma palavra se quer, nem mesmo um beijo, mas perfeito. Nossos corpos pareciam um só. O teu balanço era tão previsível pra mim, como se tu fosses parte de mim, parte integral do meu ser. Era como se você pudesse ler cada pensamento meu e soubesse a cada passo o que eu faria.
E no fim de tudo, quando a música se resumia num instrumental lento, lindo, quase parando, a tua frase veio completar a minha noite, junto do teu sorriso, que passou a ser habitual aos meus olhos: "Eu gosto tanto de ti, de estar contigo."
Na volta pra casa, mais bobeiras e besteiras, você me faz rir, e talvez, sem que você perceba até, me sinto protegida ao teu lado.
Saiu do carro, abriu a porta, me estendeu a mão, um gentleman. O som do carro alto, sem silêncio algum, e ele veio, o meu tão esperado beijo, pra fechar muito bem a noite. E mais tarde você vai vir aqui, me encontrar com olheiras horrendas. O sono não vem. E agora, me diz, como dormir depois de tantas emoções, tanta perfeição? O sol já vem vindo, o meu sorriso não se desfaz, e o meu coração insiste em relembrar cada momento.
*trecho em negrido é da música - Só sei dançar com você, da Tulipa Ruiz.




