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quarta-feira, 14 de julho de 2010

bons sonhos



E a noite chega e afirma de modo impetuoso que terei mais um dia sem você. Mais um dia longe dos teu carinhos e alegrias. Mas o brilho da lua, vem me dizer de forma aconchegante e alegre que eu não escute a noite cruel, mas sim perceba em seu brilho, que um dia se passou e falta menos pra que eu te encontre enfim no horizonte. Que eu me farte de seus braços e abraços, das nossas conversas que são breves nesses tempos distantes.
Fecho os olhos e sinto teu cheiro, sonho acordada. Acordo quase flutuante, pois sei que falta muito menos do que eu posso imaginar. Junto minhas coisas no quarto e me ajeito pra dormir, jogo um beijo em direção ao céu, como se tu pudesses sentir e saber naquele exato momento que estou pensando em ti, consigo visualizar em meus pensamentos seu sorriso bobo, como das vezes em que faço algo idiota. Sinta, meu beijo, meu cheiro, meu carinho. Bem e de fato sou idiota, e amo ser assim! Sou feliz assim. E como já dizia Jabor: "Antes idiota do que infeliz."
Deito na minha cama quentinha e abraço o Pedrinho osapofeio. E lembro que tu está distante da sua cama e da sua casa. Faço minhas orações e ainda com lágrimas nos olhos sinto um misto de saudade e felicidade me invadirem. Falta pouco, amor. São 23 dias, quase 22. Sentimentos tão distintos, mas tão iguais nesse exato momento. Nosso amor me causa isso, é a vida. E sou feliz assim. Peço a Deus que te guarde, te proteja e ilumine. Que Maria cuide de ti e interceda junto ao seu filho por ti. Fico repetindo pra mim mesma, falta pouco, falta pouco. Ainda me lembro do nosso beijo, beijo de despedida. Beijo bom, com carinho.
Se cuida, amor. Querido Mar, cuide bem do meu bem, sem balanços, okay? Querido Papai do Céu, guia meu Marinheiro, protege dos males e mares.
Amor, me cuida dai que te cuido daqui.

beijos com saudades, da sua pequena ;*

só pra complementar, um trecho de uma crônica de Caio F que li hoje, aos meus amigos e ao meu amor, pois sei que em vocês, eu posso confiar. Obrigada, meus amores.
"Para mim, atualmente, companheirismo e lealdade são meio sinônimos de felicidade. Meus amigos são muito fortes e muito profundos, são amigos de fé, para quem eu posso telefonar às cinco da manhã e dizer: olha, estou querendo me matar, o que eu faço? Eles me dão liberdade para isso, não tenho relações rápidas, quer dizer, tenho porque todo mundo tem, mas procuro sempre aprofundar. E isso é felicidade, você poder contar com os outros, se sentir cuidado, protegido. Dei esse exemplo meio barra pesada de me matar; Esquece, posso ligar para ver o nascer do sol no Ibirapuera às cinco da manhã. Já fiz isso, inclusive."



terça-feira, 13 de julho de 2010

no mundo da lua


Cuido detalhadamente da maquiagem, pra que fique im-pe-cá-vel. Blush marrom-alaranjado, batom rosa nos lábios e rímel alongador. Vestes harmoniosas, pensadas por horas à fio. Ankle boots nos pés, e a rua como caminho notívago. Duas quadras, e ei moça: sua meia-calça está desfiada. À cem metros do salão de festas. E obrigada por avisar, mas que se dane. Presto atenção aos detalhes, e esqueço o conjunto inteiro. Cabeça nas nuvens, olhos na Lua. Distraída como sempre, é incontável o número de chaves perdidas, casacos esquecidos, bolsas em cima de mesas abandonadas. Dá pra prestar mais atenção, menina? Olha, dar, até dá. Mas quanto mais me empenho em me concentrar pra que tudo saía perfeito, e sem nenhum esquecimento, caio novamento em distrações febris e passageiras. Naquela esquina com cheiro de pizza de banana; na mancha avermelhada do meu vestido; naquela rima em verso, que grudou na cabeça e não saí. Nas partes bonitas, de um todo. O que nem sempre é distração, pode virar ação. Palavras, contextos, inspiração.
Tá me ouvindo, Camila? Sim, tô sim. Olha ali aquela placa enorme, que polui visualmente o ambiente. Tá vendo também, aquela moça que caminha apressada? Tem a bolsa igualzinha à minha, pode? Ah, eu escuto tudo o que você diz, sim. O difícil é entrar na mente, e ficar. Permanecer. Tudo vai sendo filtrado, e enfim, às vezes - e somente vezenquando - esqueço, oras. Não, não finalizei aquele texto, e muito menos o curso de inglês. Mas te contei que, me matriculei no italiano? E que, larguei o Direito pelo Jornalismo? Ah, sim. Não sei finalizar, mas adoro iniciar. O problema está em concluir algo, até o final. Mas finais são tristes, não acha? Eu acho. Dá aquela nostalgia, e a gente sente vontade de se tapar até a orelha, e tomar chá o dia inteiro, sentindo o saudosismo na alma. Latente.
Gosto de sentar num banco, e ver a vida passar. Observar os comportamentos, trajeitos pessoais de cada um, as particularidades de definem estereótipos, diferenças.Vejo aquela blusa rosa caminhando, e combino com o sapato preto, de salto. De duas pessoas diferentes, entende? E ouço aquela música, que me lembra um momento único, visto por apenas dois pares de olhos cúmplices. Me reporto ao instante, e quase vivencio tudo novamente, num golpe instantâneo de saudade. A água do chá, tá apitando! Oi? Ah, sim; não sei o que fazer na noite de hoje..Muito menos, sexta-feira, ou até mesmo sábado. Vamos decidir no dia, na hora, vai...Deixa o feeling tomar conta, a vontade apontar o rumo, o sentimento imperar. E então, tá decidido. Marcar hora, pode ser. Difícil é lembrar. Ou pior: chegar no horário. Ih, são quase quatro horas. Será que dá tempo? Desisto, não vou. Nem ligo. Acontece, não é mesmo? Sei, se eu tivesse me programado, e toda essa ladainha louca, tudo bem. Da próxima vez, prometo. É sim, pisei nessa defecação, na rua; não vi. Literalmente, que merda.
Não to muito afim de pensar no futuro não, a gente começa a pensar e nem se dá conta de que está enlouquecendo - ou então, envelhencendo. Vive agora! Ouve aquela música, curte esse momento que pode até ir, mas não volta. O que não vale é ficar parado, sonhar baixinho, e falar pouco. Ou demais. Eu falo muito, você pode estar vendo. Mas não se preocupe se eu falar demais. Comece a se preocupar quando eu calar a boca, e nada me fizer falar novamente. Ah, larga esse ofício todo e vamos pro parque. Lá a gente deita na grama, vê nuvens e divaga sobre a existência humana, os valores da sociedade, e um planeta só nosso. Mas tem que ter sapatos, chocolate, chimarrão e jornal diário. Tá ok, eu deixo ter um pouco te futebol, café e video-game. Antes disso, só vamos pensar no jantar da noite de hoje. E amanhã, em acordar cedo. E agora, vamos ao trabalho que sair disso que nem ao menos existe, dá trabalho. Pega a caneta, anota tudo o que eu disser, que exige concentração. Antes, peraí: pegou a chave de casa? Eu esqueci.

Por
Camila Paier.
Esse texto que me descreve com uma docilidade e
perfeição incriveis foi retirado do blog (deixando claro que não foi feito pra mim e nem por mim, rs)
http://calmila.blogspot.com/

beijos ;*

sábado, 10 de julho de 2010

me dá forças!


"Ele me dá vontade de viver (...)
Ele me dá vontade de cantar, de rir,
de ser feliz! Me dá força, me dá fé."

Caio Fernando de Abreu

Nossa ao ler essa frase, justamente hoje, me trouxe algo bom e agradavel.Digo que Deus é meu real motivo de viver, mas confesso que você também me traz tantas coisas boas. Hoje eu tive a junção disso, Deus me ouviu implorar pra poder falar com você. Ter uma conversinha básica, de poucas palavras, que fosse. Algo que fosse mais direto, entende? Agradeço a Deus por ter colocado a Mari e o F Jr no nosso caminho, haha. Pra facilitar recados e até mesmo certos anseios meus mesmo, mas é que falar direto com você é sempre bom , ne? Depois de alguns minutos de choro por imaginar que ficaria mais uma semana sem tuas palavras, sem tuas puxadas de orelha, sem teu estimulo, sem um "eu te amo", um "você é tão importante", sem nada que disse sobre nosso futuro juntos e teu presente distante de mim. Você entrou novamente nesse bendito msn e logo tratamos de por um pouco da conversa em dia. Agora são 27 dias pra te ter de volta comigo, mas já com tempo determinado, né? Sem problemas, o amor sempre supera tudo. Se for de Deus, se for real, o amor sempre vence. Eu te apoio em tudo o que for melhor. Teu sorriso traz paz, teu abraço me protege, teu olhar me dá segurança, mas o teu amor, ah isso me traz a certeza dos cinco anos de idade, lembra? me faz lembrar do Pedro e da Luiza, me faz pensar no nosso futuro, na familia que um dia podemos construir. Com Deus guiando, você me apoiando, eu sigo em frente. Sem medos e desespero em minha cabeça. Tuas atitudes me mudam cada vez mais. Eu te amo, te respeito e apoio. Lealdade acima de tudo, amizade é o principal. A tua alegria, é a minha. Teu cheiro continua gravado na minha mente e lembro de ti a todo momento.As vezes fecho os olhos e é como pudesse sentir a tua presença ao meu lado. Obrigada por "estar aqui comigo". O que importa não é só estar presente fisicamente, mas fazer-se presente, mesmo em outro continente. E todas as vezes que falo com você, é exatamente isso que sinto, é essa a certeza que você tem me dado. Da tua pequena chata, com amor, carinho e saudade ;*

beijos e não desliga ;D

sexta-feira, 9 de julho de 2010

telefonemas


"O telefone tocou. Então uma voz que eu não ouvia há muito tempo, tanto tempo que quase não a reconheci (mas como poderia esquecê-la?),uma voz amorosa falou meu nome, uma voz quente repetiu que sentia uma saudade enorme, uma falta insuportável, e que queria voltar... Eu disse que sim, claro que sim, muitas vezes que sim."

Caio Fernando Abreu

mundanças


Tenho a impressão que alguma coisa muda E muda forte. Não sei bem o quê. É como se estivesse muito mais velho. Assim como se um contato frontal com a morte fosse a única coisa que faltava para ficar definitivamente adulto. Pois é. Era terrivelmente real. E feio. E vazio — alguma coisa já não estava mais lá. A alma? Pode ser.

Caio Fernando de Abreu

quinta-feira, 8 de julho de 2010

obstáculos


bem , hoje eu vou postar uma história que escutei em um dos melhores momentos da minha vida. Um momento que fez e faz toda a diferença na minha vida. E essa história foi só o começo pra que eu aproveitasse esse momento e começasse a tirar a vendo que se encontrava em meus olhos. Agradeço a Deus por Ele ter me permitido viver intensamente o Nova Vida (Filipe). Todo o vazio que eu sentia e tentava preencher de forma errada, Ele me mostrou que bastava eu me abrir pro seu GRANDIOSO AMOR. Eu o amo e adoro! Só Deus basta! Obrigada, Senhor.

A águia é uma ave que chega a viver até 70 anos.Mas para chegar a essa idade ela tem que tomar uma séria e difícil decisão por volta dos 40 anos.Nessa idade,ela está com as unhas compridas e flexíveis não conseguindo mais caçar suas presas para se alimentar;seu bico alongado e pontiagudo já esta curvo e suas asas estão apontando contra o
peito,envelhecidas e pesadas em função das grossura das pernas;e voas já está se tornando uma tarefa difícil então.A águia só tem duas alternativas:morrer ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias.

Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e recolher-se em um ninho próximo a um paredão,onde ela não necessite voar.Após encontrar esse lugar,a águia começa a bater com o bico contra a rocha até conseguir arrancá-lo.Após arrancálo,espera nascer um novo bico,com qual vaidepois arrancar suas unhas.Quando as novas unhas começarem a nascer,ela passa a arrancar as velhas penas.E somente depois de 5 meses ela sai para seus famosos vôo de renovação.E poderá viver então,por mais uns 30 anos.

Em nossa vida,muitas vezes,temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação. Para que continuemos a voar um vôo de vitória,devemos nos deprender de lembranças,costumes e outras tradições que nos causaram dor.Somente quando nos livramos do peso do passado é que podemos aproveitar o resultado valioso que uma alto renovação sempre traz.

mude ;D


"Quando sentir que não há
lugar para você neste mundo,
respire fundo, respire fundo.
Reiventar, é preciso mudar,
mudar você e o mundo."

(Hoje é dia de Maria)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

abraços e beijinhos


"Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim"
-Vinícius de Moraes

sexta-feira, 2 de julho de 2010

saudadinha ?


"É noite aqui. Levanto os olhos pro céu como se quisesse caçar estrelas que me escapam em pleno vôo. Pergunto-me, como é possível sentir alguém tão distante e, no entanto, poder ler cada dobra de seus lábios. O monstro de chocolate continua fazendo sombra na minha escrivaninha. Continua nevando aqui. Mas muito pouco. Eu fujo da neve, para que meu coração não esfrie.Vai ver esta neve é a caspa de Deus coçando a cabeça, enquanto pensa no que vai fazer comigo."



Pipa.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

coração tranquilo


"Tô morando, trabalhando, estudando e amando.
Esses são os quatro foles da minha vida, no momento,
e sobre cada um deles
eu teria milhares de páginas a preencher.
Sei lá menina, tá tudo tão legal, e um legal tão batalhado,
um legal merecido,
de costas e pernas doendo, mas coração tranquilo!"

Caio F. de Abreu

terça-feira, 29 de junho de 2010

Respeito, Okay ?


Eu que jamais me habituarei a mim, gostaria que o mundo não me escandalizasse. Você de repente não estranha de ser você? Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento. É que sou um pouco antes. E só isso. Juro por Deus. E sou um pouco depois também. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo. Não é à toa que entendo os que buscam caminho. Como busquei arduamente o meu! E como hoje busco com sofreguidão e aspereza o meu melhor modo de ser, o meu atalho, já que não ouso mais falar em caminho. Eu que tinha querido. O Caminho, com letra maiúscula, hoje me agarro ferozmente à procura de um modo de andar, de um passo certo. Mas o atalho com sombras refrescantes e reflexo de luz entre as árvores, o atalho onde eu seja finalmente eu, isso não encontrei. Mas sei de uma coisa: meu caminho não sou eu, é outro, é os outros. Quando eu puder sentir plenamente o outro estarei salva e pensarei: eis o meu porto de chegada. O que eu sinto, eu não ajo. O que ajo, não penso. O que penso, não sinto. Do que sei, sou ignorante. Do que sinto, não ignoro. Não me entendo e ajo como se me entendesse. A única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais. E nesse silêncio profundo se esconde minha imensa vontade de gritar.
É porque sou muito nova ainda e sempre que me tocam ou não me tocam, sinto.
Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada. Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
Eu disse a uma amiga :
- A vida sempre super exigiu de mim.
Ela Disse:
-Mas lembre-se de que você também super exige da vida.
Sim.

O que obviamente não presta sempre me interessou muito. E então aconteceu: do fundo de meu coração, eu queria aquela rosa pra mim. Eu queria, ai como eu queria. E não havia jeito de obtê-la. No meio do meu silêncio e do silêncio da rosa, havia o meu desejo de possuí-la como coisa só minha. Eu queria poder pegar nela. Queria cheirá-la até sentir a vista escura de tanto perfume. O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido. Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar, duram uma eternidade.
Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro... há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu... Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma. Ás vezes eu não sei se quero parar porque estou cansada ou porque quero desistir. Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas as vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: Quer-se absorve a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.
Clarice Lispector

sábado, 26 de junho de 2010

diga sempre a verdade!


Já fui de esconder o que sentia, e sofri com isso. Hoje não escondo nada do que sinto e penso, e às vezes também sofro com isso, mas ao menos não compactuo mais com um tipo de silêncio nocivo: o silêncio que tortura o outro, que confunde, o silêncio a fim de manter o poder num relacionamento.
Assisti ao filme Mentiras sinceras com uma pontinha de decepção -os comentários haviam sido ótimos, porém a contenção inglesa do filme me irritou um pouco -mas, nos momentos finais, uma cena aparentemente simples redimiu minha frustração. Embaixo de um guarda-chuva, numa noite fria e molhada, um homem diz para uma mulher o que ela sempre precisou ouvir. E eu pensei: como é fácil libertar uma pessoa de seus fantasmas e, libertando-a, abrir uma possibilidade de tê-la de volta, mais inteira.
Falar o que se sente é considerado uma fraqueza. Ao sermos absolutamente sinceros, a vulnerabilidade se instala. Perde-se o mistério que nos veste tão bem, ficamos nus. E não é este tipo de nudez que nos atrai.
Se a verdade pode parecer perturbadora para quem fala, é extremamente libertadora para quem ouve. É como se uma mão gigantesca varresse num segundo todas as nossas dúvidas. Finalmente se sabe.
Mas sabe-se o quê? O que todos nós, no fundo, queremos saber: se somos amados.
Tão banal, não?
E no entanto esta banalidade é fomentadora das maiores carências, de traumas que nos aleijam, nos paralisam e nos afastam das pessoas que nos são mais caras. Por que a dificuldade de dizer para alguém o quanto ele é – ou foi – importante? Dizer não como recurso de sedução, mas como um ato de generosidade, dizer sem esperar nada em troca. Dizer, simplesmente.
A maioria das relações – entre amantes, entre pais e filhos, e mesmo entre amigos – ampara-se em mentiras parciais e verdades pela metade. Podem-se passar anos ao lado de alguém falando coisas inteligentíssimas, citando poemas, esbanjando presença de espírito, sem alcançar a delicadeza de uma declaração genuína e libertadora: dar ao outro uma certeza e, com a certeza, a liberdade. Parece que só conseguiremos manter as pessoas ao nosso lado se elas não souberem tudo. Ou, ao menos, se não souberem o essencial. E assim, através da manipulação, a relação passa a ficar doentia, inquieta, frágil. Em vez de uma vida a dois, passa-se a ter uma sobrevida a dois.
Deixar o outro inseguro é uma maneira de prendê-lo a nós – e este “a nós” inspira um providencial duplo sentido. Mesmo que ele tente se libertar, estará amarrado aos pontos de interrogação que colecionou. Somos sádicos e avaros ao economizar nossos “eu te perdôo”, “eu te compreendo”, “eu te aceito como és” e o nosso mais profundo “eu te amo” – não o “eu te amo” dito às pressas no final de uma ligação telefônica, por força do hábito, e sim o “eu te amo” que significa: “seja feliz da maneira que você escolher, meu sentimento permanecerá o mesmo”.
Libertar uma pessoa pode levar menos de um minuto. Oprimi-la é trabalho para uma vida. Mais que as mentiras, o silêncio é que é a verdadeira arma letal das relações humanas.

Martha Medeiros

sexta-feira, 25 de junho de 2010

quando te vi


“E lembro da primeira vez que eu te vi e te achei meio feio, vesgo, estranho. Até que você me suspendeu no ar por razão nenhuma eu tive certeza que meu filho nasceria um pouco feio, vesgo e estranho.”

Tati Bernardi.



Quando eu li esse trecho do texto da Tati , logo lembrei de você. Porque a primeira vez que eu te vi também pensei, nossa, que menino mais bobo. Se acha, ele é um tanto quanto estranho, orelhudo, olha o bigodinho migelito dele, o bumbum avantajado, nem comento. Como pode ? Que carinha de criança ele tem.
Até que, eu já te amando muito, fui surpreendida com aquele bendita frase (eu largo tudo, abro mão, por você, por nós), naquele momento eu tive a certeza de que o Pedro nasceria um tanto quando orelhudo, estranhinho, bobo igual ao pai e com um MEGA BUMBUM! De verdade, logo me veio na cabeça muitas das coisas que já tinhamos em mente a respeito dos nossos filhos e do nosso futuro. Todas as vezes que te vejo com alguma criança no colo e vejo o teu olhar, o teu carinho e cuidado, isso me encanta tanto. E me faz ter a certeza de que eu fiz a escolha certa e que o Pedro e a Luiza vão ter o melhor pai do mundo (:

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Certezas


Não quero alguém que morra de amor por mim. Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando. Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade. Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim. Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível. E que esse momento será inesquecível. Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre. E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor. Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém. E poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto. Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho. Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento. e não brinque com ele. E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo. Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe. Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz. Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz. Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas. Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”. Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros. Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento. Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão. Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim. E que valeu a pena.

— Mário Quintana

domingo, 20 de junho de 2010

gostar é tão facil


... que ninguém aceita aprender.

Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar: aprenda a fazer bonito o seu amor. Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito. Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito. Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.

Tenho visto muito amor por aí, Amores mesmo, bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva, mas esbarram na dificuldade de se tornar bonito. Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.

Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais de repente se percebeu ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender; necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem; enchem-se de razões. Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor. Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reinvindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira. Ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão.

Ponha a mão na consciência. Você tem certeza que está fazendo o seu amor bonito? De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior beleza possível? Talvez não. Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer. Quem espera mais do que isso sofre, e sofrendo deixa de amar bonito. Sofrendo, deixa de ser alegre, igual criança. E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.

Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre. Recomendam-se: encabulamentos; ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se possível com beijos, “aquela conversa importante que precisamos ter”, arquivar se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível. Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter.

Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos): não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora.

Não tenha mêdo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração; contar a verdade do tamanho do amor que sente.

Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser. Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre. Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil. Revivendo os carinhos que instruiu em criança. Sem mêdo de dizer, eu quero, eu gosto, eu estou com vontade.

Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor, ou bonitar fazendo seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito (a ordem das frases não altera o produto), sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é e nunca, deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi possível, ser.

Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de você. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.


Arthur da Tavola

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Para viver um grande amor


Para Viver Um Grande Amor

Vinicius de Moraes


Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.


Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.

domingo, 13 de junho de 2010

vou indo, feliz ..


Sempre que pensava nas pequenas bênçãos do dia a dia, nas pequenas coisas que guardavam em si um que a mais de magia, molhava o olhar com sorrisos d’água e se entregava toda ela à emoção. É que toda vez que seus olhos sorriam assim, de agradecimento, o corpo todo ía junto. Corpo, alma e coração.

terça-feira, 1 de junho de 2010

continue remando comigo!


“Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim.”

- Caio F. Abreu

Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma.
Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também!
Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade!
Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também.
Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir.
Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo.
Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças!
Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar.



eu simplimente A - M - E - I esse texto que vou postar. Parece bobo, mas pra quem se prende aos detalhes, pra quem se faz com esses detalhes, pra quem tá amando ou não, pra quem tem o coração aberto, com sede do amor , entendem ? espero que tenham gostado ;*

onde está o tal amor ?


Nenhum amor acaba de uma hora para outra. Ocorre todo um processo, antes de se ter consciência de que realmente acabou. Nem sempre percebemos estes sintomas, que avisam e gritam que algo está errado. Muitas vezes, estamos tão apaixonados, enlevados pela doce sensação, de, talvez depois de muito tempo, amar alguém profundamente. Não percebemos que a pessoa, a quem entregamos o nosso coração, a quem contamos os nossos mais profundos segredos de alma, mudou. Nosso instinto sabe sim, que algo está errado. Mas, talvez, para não querer sair do mundo de tanta magia, que estamos vivendo, ignoramos propositalmente os sinais. Não notamos que nosso parceiro está com os olhos distantes, que se ausenta, que está meio calado. Não queremos acreditar que algo vai mal. Afinal, amamos tão profundamente e estamos tão felizes, que é insuportável pensar que a outra pessoa não esteja sentindo a mesma coisa por nós. Damos o nosso máximo Entregamos a nossa mais pura essência. Flutuamos, em vez de andar e ficamos bobinhos, sorrindo e cantarolando o tempo todo. Então, num belo dia, nosso mundo todo desaba. A pessoa nos confessa, que não nos ama mais. Que não é isso que quer. Que não corresponde plenamente aos nossos tão intensos sentimentos. Não podemos crer que isso realmente esteja acontecendo. Parece um sonho ruim. Como que não percebemos antes? Por que fomos tão longe, sem fazer uma avaliação mais racional? A primeira reação é de profundo desespero. O chão some sob nossos pés, o corpo começa a tremer e o coração quase pára de bater. O ar some de nossos pulmões e achamos que vamos morrer de tanta dor. Tudo perde o sentido. A vida se torna cinzenta, e nada, absolutamente nada, pode aliviar esta sensação de quase morte. E agora? O que fazer com o grande baú de sonhos que sonhamos juntos? O que fazer com os tantos planos e metas que elaboramos, para uma vida a dois? Momentaneamente, tudo parece acabar. Mas, logo percebemos que nada podemos fazer. Ligamos, implorando para que reconsidere. Mas a pessoa é taxativa e não tem volta. Esta constatação nos atinge com o poder de uma lâmina, dentro do coração, e arranca todo e qualquer vestígio de esperança. E, como sonâmbulos, passamos a vagar pelos dias e noites que se seguem. Chorando copiosamente, sem sentir fome, sem ter noção das horas. Os dias passam, e então, os sentimentos confusos, que vão desde a mágoa profunda, até a raiva mais intensa, derramam também a culpa dentro da gente. Passamos a achar que o erro está em nós. Que poderíamos ter feito mais. Que não somos bons o suficiente, ou ainda, que não merecemos ser amados. Esta é a coisa mais injusta que fazemos com nós mesmos. Mas, faz parte do processo. E PASSA! ACREDITE NISSO! A profunda saudade começa a pesar, e o vazio nos avisa que precisamos tomar uma atitude. Perdemos uma parte de nós mesmos, mas precisamos recomeçar por alguma ponta. Jogar-se de corpo e alma dentro dos afazeres, trabalhar muito, ocupar a mente, para evitar pensar é a estratégia mais usada. É uma espécie de blefe que funciona parcialmente. Chegamos tão cansados, que dormimos sem fazer força. Mesmo que nossas noites sejam povoadas por pesadelos. Mas, a noite passa e um novo dia sempre chega. E mais um. E mais um. E, a dor finalmente dá uma pequena trégua. Muito timidamente, começamos a sorrir outra vez. Passamos, novamente, a prestar atenção aos detalhes da vida, e despertamos lentamente, desse estágio de hibernação da alma, que ficou mergulhada na dor. Erros? Não houve erros. Faltou foi sintonia. Não era para ser. Por mais amor que doássemos, não foi para a pessoa certa. Então, meio a contragosto, olhamos para trás. E lá está escrito, que esta pessoa era muito diferente do modelo de amor, que trazíamos escrito em nossa memória. Não era tanto amor assim, afinal de contas. Nem da nossa parte. Foi sim, algo maravilhoso que vivemos, mas passou. Fez parte das provas da vida. Do nosso crescimento pessoal. Talvez nos mostrou a NOSSA GRANDE CAPACIDADE DE AMAR. Como temos um coração lindo! Ele ama, sem ressalvas e se entrega totalmente. Esta é a lição que deve permanecer. Somos tão plenos de sentimentos! E, neste Universo tão intenso de almas lindas, deve ter alguém, em algum lugar, sonhando exatamente com alguém como a gente. E se chamarmos? Hum, quem sabe! Vamos conectar o nosso pensamento, nos enfeitar lindamente, espalhar rosas e versos, dentro de nosso coração, e ESPERAR. Tenho certeza absoluta, que em alguma curva da estrada, estará esperando por nós, o NOSSO GRANDE E VERDADEIRO AMOR! Vamos ao encontro dele!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

amigos !


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existência. A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer. Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.
[autor: Vinícius de Moraes]
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