terça-feira, 3 de agosto de 2010

Confissões e confusões


Quase caindo de sono, sem inspiração. Moída, cansada, exausta e diria até muito um pouco estressada. Felizmente Infelizmente não bebo, então não posso pedir: "Um martini duplo, por favor." E pra falar a verdade, me afogar no álcool não é uma boa saída, eu sei. Erros, rabiscos. Uma semana cruel que se arrasta, pesada, lenta. Tudo acontece! Mas o que mais espero, mais anseio, atrasa, não acontece. Perdida no meio de livros, textos e leis. Presa nos meus pensamentos, problemas, neuras e defeitos. Um cubículo escuro, mal consigo me ajeitar. Quanto mais me conheço, mais percebo o tipo de ser humano que sou. Um ser limitado, mais coração do que qualquer outra coisa. Impulsiva demais. E por ser impulsiva, acabo magoando pessoas das quais tenho um apresso imenso. Por muitas vezes, em muitas situações me prendo a essas gafes, revoltas existências que afetam aqueles que estão a minha volta. Me consumo, choro e acabo me irritando mais. Vira um bola de neve, e eu ... bem eu viro uma bola, uma bola humana. Infelizmente meu biotipo não me permite extravagâncias gastronômicas. Sangue italiano, quente, com aquele requinte brasileiro, gingado. Mistura complicada essa. Só sei no fim de tudo sofro, muito. Mas o pior é que eu sei que esse sofrimento vale a pena. Será?
Minhas confissões e confusões no papel, eu mal me entendo e tanta gente se aconselha e desabafa comigo, e ainda dizem que eu ajudo. Até acredito, porque é muito fácil falar de um problema quando estamos fora dele. É muito fácil falar o que as pessoas querem ouvir. Vou pelo caminho mais difícil, em boa parte das vezes, pelo menos pra outras pessoas. Se me perguntar o que acho da situação, vou dizer primeiro o racional, o que você deveria fazer de fato, mas como já disse, sou muito mais emoção. Te direi o que eu faria no teu lugar, e pode crer, eu voltaria.
Um texto dirigido a mim, a você e a tantos outros. Não sei mais o que fazer, olho pro relógio e se passaram somente dez minutos. Como eu quero que essa noite acabe logo. Minha inspiração amiga que geralmente me vista a noite, não veio hoje, me deixou só. A mercê dos meus pensamentos insanos, confusos e dramáticos. A tristeza tenta se instalar nesse lugar umido e estranho, mas logo dou um passa fora nela. Não escrever sobre esse sertimento. Ela me angustia e me limita mais ainda. Quero manter meu sorriso, mesmo que confuso. Quero poder abraçar, ainda que isso seja difícil. O perdão é para os fortes, os fortes de coração. Uma decisão que eu tomei mais por mim do que por você. Acho que pra me tornar mais livre, menos limitada.
Mais confusões no papel. Contos os minutos pra sexta-feira chegar e dar fim a essa minha ânsia de sorrisos, carência de abraços e saudades de palavras que se revelam no silêncio de um olhar. Espero que quando ele voltar, essa tal inspiração volte e que essa confusão se aquiete e se esconda, ou se revele termine enfim. To cansada de tanta gente dizer o que me convém, as vezes eu sinto que o que realmente preciso é escutar meus próprios conselhos.
Ele que me abraça, me faz sentir segurança. Onde encontro o encaixe perfeito pra minha cabeça em seus ombros largos e protetores. Me deixa feliz, alegre, segura. Temos defeitos e limitações, mas quando está aqui, tudo diminui, tudo se transforma em uma fração de segundos.
Uns minutos pensando no nada e constato, não existe confusão. O que acontece é que tenho a certeza do que quero, mas sou limitada e não estou segura hoje, sei o que é o melhor, mas quero o pior. É talvez isso seja mesmo uma confusão.
Que se finde logo isso, que ele venha me proteger de mim mesma. Que venha me retirar dessa prisão, dessa cela que me faz ser mais limitada e frágil do que de costume. Um lugar onde as palavras não chegam, não saem e não se juntam de forma lógica. Um lugar escuro, umido de lágrimas que afasta qualquer tipo de inspiração. Uma prisão interna, dentro de mim mesma. Um lugar do qual não consigo sair sozinha, não consigo me encontrar sem aquela ajuda.
Me desculpem pelas palavras sem nexo, pela confusão, pelos rabiscos. Não costumo ser assim, mas a saudade deixa a gente assim, aprisionada. Um misto de sentimentos, todos ilógicos ou lógicos, nem sei mais. As únicas certezas que possuo neste momento é a de que Deus está ao meu lado e a de que o amor é maior do que qualquer distância física.
E esse conto que não é de fadas, ainda não teve um final feliz. Eu disse ainda ...

Palta para o Bloínquês 28ª Edição Visual
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E como que pra complementar esse meu desabado, um trecho de Ana Jácomo.
Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria. Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz !

6 comentários:

Jota disse...

Realmente isso é válido. Deixar de seguir sonhos por uma outra pessoa é suicídio. Beeeijos ;**

Isabela disse...

" Que venha me retirar dessa prisão, dessa cela que me faz ser mais limitada e frágil do que de costume."

Muito lindo. Achei que você escreve muito bem *o*
Já estou seguindo aqui o blog, e adorei. Se quiser, visite meu blog também.
Boa sorte com o Bloínquês, beijos.

Tay disse...

Tomara mesmo que você jamais desista de ser quem é por nada nem ninguém nesse mundo. Porque tem épocas mesmo em que o caos aparece e se infiltra até pelas gretas da janela fechada, mas é preciso ter forças para passar por ele.
Beijoos!

Julia Luiza Schäfer disse...

Às vezes da vontade de poder fugir da gente e ser um pouco menos quem somos. Mas infelizmente, somos os únicos de quem não podemos correr e mesmo quando incomodados, temos que ser quem somos. Confusões são sempre normais, embora angustiantes, e acho que tu deves sim ouvir teus prórpios conselhos. Sempre seremos mais verdadeiros com nós mesmos, acredito eu. E outra, teus "rabiscos" estão incríveis! Beijos!

Camila Paier disse...

Todas sofremos tanto, por sermos justamente assim, mulheres, destemidas e metidas à donas da verdade! Amei teu texto, me identifiquei prontamente :)
Beijoca xará!

Italo Stauffenberg disse...

Que desabafo!

Que vc seja sortuda com seu texto!

Um grande abraço!

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