terça-feira, 17 de agosto de 2010

escolhas


pois é eu não vivo em um conto de fadas. Minha vida não é perfeita e eu vivo tentando fazer com que as pessoas a minha volta sejam um pouco mais felizes. Eu juro, tento fazer tudo certo, mas as vezes o meu certo não parece tão bom assim pra outras pessoas.
Eu cresci com a minha mãe me educando, fazendo papel de "pãe". Sempre tive pouca intimidade com a palavra pai. Sei bem o significado, mas a prática não acontece pra mim. Foram poucas as vezes que pronunciei essa palavra sem ter dor, lágrimas ou até mesmo sem uma certa tristeza na voz. Sentada em frente ao mar, numa noite fria, onde o vento beija suavemente minha face começo a pensar nessa palavra tão pequena, mas tão complexa pra mim.
Penso nas vezes em que quis ter o meu pai ao meu lado e não pude. No dia dos pais na escola onde todos os pais estavam lá, mas faltava o meu. Na vez em que eu trouxe meu namorado em casa pela primeira vez, mas que não tinha aquela figura paterna lá pra recepciona-lo. Não pense que é fácil ou bom, porque não é. Tem dia que o que eu mais quero é que ele me ponha de castigo e determine uma hora certa pra chegar. Não que a minha mãe não faça isso. Ela cumpre muito bem o papel de mãe e algumas coisas de pai, mas é diferente. Por mais que ela tente suprir toda essa minha necessidade paterna, é difícil. Tento não transmitir nada pra ela, mas tem dias, como hoje, que são mais pesados, ruins. Fica difícil controlar a saudade. Sim saudade. Tenho uma saudade dentro de mim que vai além de qualquer memória existente. Saudade de algo que nunca existiu, uma relação que nunca foi forte, única. Sempre foi superficial, ausente e pouco lógica. Ser pai não é só passear fim de semana, não é só fazer grandes ou pequenas viagens. Ser pai e se preocupar verdadeiramente, é se fazer presente, mesmo ausente. É dar carinho e não só dinheiro. Só de pensar dói. Machuca.
Sentada aqui, olhando as luzes da cidade, peço a Deus que ilumine meu pensamentos e escolhas. Eu não quero colocar outro ser nesse mundo para que ele sofra o que eu sofri e ainda sofro. Eu aprendi com os erros dos outros. Eu não quero que a pessoa que viverá comigo, ao meu lado por toda a minha vida, seja indiferente, vazia. Mesmo que eu tenha que esperar mais 8 anos pra ter certeza de que é ele o cara certo. Porque quando acontecer, vai ser o melhor, o certo.
É triste, ou não, perceber que outras figuras masculinas foram mais presentes num papel de "pai" do que o meu próprio pai. As escolhas erradas dele, refletem em mim até hoje.
Eu o amo, muito, confesso. É meu pai, impossível mudar isso, ou mesmo substituir. Mesmo aos trancos e barrancos eu tento o aceitar assim. Dar valor aos pequenos momentos de paz e amor que temos.
Eu sei que um dia isso vai fazer falta, não só pra mim, mas pra ele também.
Quis achar o momento certo pra falar isso tudo. O dia dos pais não me pareceu muito adequado. É muita coisa na minha cabeça, é muita dor. Eu pareço forte, as vezes até me sinto segura de falar sobre, mas o segundo domingo de Agosto não costuma ser um dia fácil pra mim. Ir a Missa e escutar o Pe. falando coisas que eu peço a Deus em oração que o meu pai escute. E ao fim da Missa "aquela música" que me mata, acaba comigo. Eu sempre achei Fábio Júnior um saco, mas nesse dia, ele se torna insuportável. Entendam, toda muralha tem um ponto fraco, um ponto que se você souber "explorar" você pode desmoroná-la.
Vou continuar por aqui, olhando pro nada, o horizonte, talvez. Sentindo um abraço de Deus e pedindo a Ele que me faça enxergar dentro dos olhos do meu amado os mesmo desejos e objetivos que os meus.
E para os que dizem "você sabe que ela não se importa", bem eu me importo sim, e muito. Me importo porque eu vivo isso, de verdade. E não me permito errar, pelo menos não no que diz respeito a minha escolha de vida, uma escolha que vai influenciar a vida de outras pessoas. E como já disse no começo: eu vivo tentando fazer com que as pessoas a minha volta sejam um pouco mais felizes. E no que depender de mim, meu filhos serão os mais felizes e o meu marido será o melhor pai.
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Pai, pode ser que daqui a algum tempo, haja tempo pra gente ser mais muito mais que dois grandes amigos, pai e filho talvez. Pai, pode ser que daí você sinta, qualquer coisa entre esses vinte ou trinta longos anos em busca de paz. Pai, pode crer, eu tô bem eu vou indo, tô tentando vivendo e pedindo com loucura pra você renascer. Pai, eu não faço questão de ser tudo, só não quero e não vou ficar mudo. Pra falar de amor pra você. Pai, senta aqui que o jantar tá na mesa, fala um pouco tua voz tá tão presa nos ensina esse jogo da vida, onde a vida só paga pra ver. Pai, me perdoa essa insegurança, é que eu não sou mais aquela criança. Que um dia morrendo de medo, nos teus braços você fez segredo nos teus passos você foi mais eu. Pai, eu cresci e não houve outro jeito, quero só recostar no teu peito pra pedir pra você ir lá em casa e brincar de vovô com meu filho no tapete da sala de estar. Pai, você foi meu herói meu bandido, hoje é mais muito mais que um amigo. Nem você nem ninguém tá sozinho, você faz parte desse caminho, que hoje eu sigo em paz. - Pai / Fábio Júnior -

5 comentários:

laura schmidt disse...

nossa, lindíssimo o texto, nem imagino o que seja tudo isso, mas sei que é difícil.. parabéns, lindo o blog

Alice disse...

Nossa, acabei de ler seu texto e imagino o quanto deve ser difícil pra você passar por tudo isso, mas você conseguiu descrever o queestava sentindo no momento com tanta perfeição que nossa, achei mt lindo, parabéns e boa sorte no BLQ :* To seguindo

Tássia disse...

texto maravilhoso, me identifiquei muuito ;~ ! Também não tenho mais meu pai, sei como é díficil.
Parabéns pelo blog *-*

Natália disse...

Eu também tenho uma Pãe e me orgulho muito de ser filha dela.

Antes eu sofria muito por causa do meu Pai, nome que não condiz com suas atitudes, mas hoje não me importo mais. Por mim tanto faz como tanto fez. bj

Luana Ribeiro disse...

Milaninho *-*
Aaaah eu sei muito bem o que você passa, a diferença entre nós é que meu pai está aqui no Rio, sim na mesma cidade que a gente, porem parece que está em outro mundo, ele não tem tempo para mim NUNCA! Dia dos Pais, me doi, e em agosto dueu muito mais por uma figura que eu colocava como meu pai, não está aqui mais entre nós, que é meu vozinho lindo, ele está ao lado de Deus! Eu queria muito que meu pai fosse O PAI! Mas não é, e não tem conversa que o faça mudar, doi eu sei, mas eu aprendi a viver com essa dor, coisa que eu não deveria né!

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